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Papo de Futuro: Fique ligado no que eles dizem!

18/09/2020

Papo de Futuro: Fique ligado no que eles dizem!

Como os jovens estão sendo preparados para impactar o mundo? De que maneira isso tem se refletido na sociedade? Nesta edição do Papo de Futuro, sobre o tema “A escola como espaço de experimentação e empreendedorismo juvenil”, a palavra está com eles:  Iasmim Alves, CEO do +Torcedoras e egressa do NAVE Rio, Filipe Cândido, estudante do 1º ano  da Escola Estadual Professor Crispim Coelho (Paraíba), e Vinnícius Rodrigo, CEO da Cordel e aluno do terceiro ano do NAVE Recife. A mediação foi de Roan Saraiva, analista de Educação do Oi Futuro. O Papo de Futuro é transmitido pelo canal do Instituto no Youtube, com acessibilidade em libras.

Os três jovens, que estão no Guia de Empreendedorismo Social na Educação, lançado recentemente pelo Oi Futuro, British Council e Porvir, falam sobre seus cases: “Desafie, incentive e dê voz”, aconselha Iasmim Alves. “Nos meus inventos, me preocupo com questões como baixo custo e impacto social”, explica Filipe Cândido. “Nunca se faz nada sozinho; se não tiver uma equipe, ficaremos estagnados”, reconhece Vinnícius Rodrigo.

Confira abaixo outras dez reflexões de Iasmim Alves, Filipe Cândido e Vinnícius Rodrigo sobre o tema “A escola como espaço de experimentação e empreendedorismo juvenil”.

1) O interesse pela startup e o surgimento da Cordel

Tudo nasceu no ano passado, conta Vinnícius Rodrigo, 18 anos. A princípio, era apenas um time de multimídia que trabalhava para produzir jogos com temáticas sociais. Depois, partiu para a criação de uma startup, incubada no Porto Digital – parque tecnológico localizado na cidade pernambucana do Recife com atuação nas áreas de tecnologia da informação e comunicação e economia criativa. Para ele, o empreendedorismo social é fazer alguma coisa que lhe move, com o propósito de devolver para a sociedade, trabalhando com empatia e defendendo a dor de outra pessoa. Citando a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e suas competências, diz que não é apenas empreender pelo dinheiro, mas construir uma ideia para agregar valor. A Cordel, um jogo de impacto, tem uma pegada de empreendedorismo social, e seu celeiro foi no NAVE. “Estamos aprendendo bastante e estimulando a economia criativa para bairros ou comunidades com vulnerabilidade. Depois de todas essas vivências e experiências, conseguimos observar que muitos outros jovens também querem empreender. E, com o próprio Guia, tudo isso pode ser trazido, cada vez mais, para dentro da Educação”. A partir daí, abriram-se mais portas. permitindo a participação de Vinnícius em outros processos, como na ONG de empreendedorismo internacional, a Ashoka. “Foi um momento incrível e de muita mentoria recebida”, relata.

2) A trajetória do +Torcedoras

Iasmin Alves, 19 anos, contou a sua experiência como ex-aluna e, agora,  empreendedora. Ela criou, para o Technovation Challenge – concurso que  desafia meninas de Ensino Médio a desenvolver soluções tecnológicas para suas comunidades – o primeiro aplicativo para torcedoras de futebol do mundo, o +Torcedoras. O embrião aconteceu dentro da sala de aula, quando ainda cursava o terceiro ano no NAVE Rio. “Éramos cinco meninas que queriam ganhar o mundo, e pensamos: ‘Por que a galera não frequenta estádios’? Eu, vascaína, duas flamenguistas e uma botafoguense. Percebemos que algumas não iam por conta do machismo, do assédio, da falta de companhia ou, mesmo, da segurança. Usamos a metodologia do Design Thinking, graças ao apoio dos professores, e realizamos pesquisa de campo para fundamentar e sentir, realmente, o que era uma dor. Reunimos 50 meninas, e cada uma delas contou sua experiência. Chegamos ao +Torcedoras, através da conexão de mulheres, que torcem para o mesmo time e moram na mesma região, permitindo que possam frequentar os estádios cariocas e sejam parceiras”. Durante o processo de criação, Iasmim se engajou com as questões do empreendedorismo, de pitching, de modelo de negócio. Após o Ensino Médio, ela participou de diversos programas de aceleração e mentoria, conquistando aporte financeiro em editais como AMBEV e Iniciativa Jovem. Agora, é pensar em novas melhorias no aplicativo e promover outros tipos de oportunidades.

3) Experimentos, pesquisa e muita criatividade

Filipe Rodrigo tem apenas 15 anos – desde os 10 começou a prototipar e criar soluções – e já demonstra uma grande capacidade como empreendedor social. “Na escola onde estudava, havia uma feira anual, onde os professores lançavam desafios para mim e eu sempre criava alguma coisa diferente”. Utilizando o princípio dos “três erres” – reduzir, reaproveitar e reciclar – é responsável por uma série de inventos. Inicialmente, ele sentiu uma grande necessidade de produzir ventiladores mecânicos com baixo custo para pacientes com Covid-19. Na Paraíba há poucos aparelhos nos hospitais e, no caso da cidade de Cajazeiras, com mais de 50 mil habitantes, eram apenas sete unidades. Desenvolveu utensílios para escolas, como um filtro de água que utiliza carvão, areia, pedra e algodão, em substituição ao antigo de barro, onde a filtragem demorava muito mais. Criou, ainda, um desestabilizador caseiro, permitindo que seja retirado 100 por cento do sal da água, empregando materiais mais baratos. “Aliás, a única coisa que eu comprei foi uma massa durepox, que não custou nem três reais. Desestabilizei um litro de água em apenas um minuto”, conta o jovem. Filipe lançou, também, um braço hidráulico e um abajur retrático, construído com a madeira de sua região, e é responsável pela criação de um museu na escola onde estuda, que conta 59 anos de história.

4) A importância do estímulo

Para Vinnícius, o empreendedorismo dentro da sala de aula é essencial. “Primeiro porque somos jovens e temos um desejo de fazer coisas. Sempre iniciamos a partir de um projeto pequeno, com o estímulo dos professores. Se olharmos hoje os líderes, percebemos que eles começaram na escola, através desse protagonismo juvenil. O empreendedorismo tem muito de se posicionar, de saber tomar decisões. É importante criar redes de conexões”. Iasmim comenta: “Quando a escola percebe que há outros caminhos, quando o jovem se engaja e entende que ele é o protagonista, ninguém vai conseguir com que ele pare”. Ela reconhece que foi muito privilegiada ao fazer parte do NAVE. “Não trabalhamos com temas fúteis. Se realizarmos um documentário, por exemplo, tem que, realmente, impactar a vida de alguém. Estamos sempre voltados para pensar no outro”. Filipe reconhece o grande apoio tido da sua escola atual, ECI Professor Crispim Coelho, onde teve a oportunidade de crescer.

5) A presença feminina

Iasmim acredita que a presença feminina nos estádios possa humanizar a torcida e reduzir a violência. Mas, acrescenta: “Lidamos com uma rivalidade agressiva. A mulher quer ir ao estádio com suas amigas, se divertir, tomar sua cervejinha, levar os filhos e não pode se preocupar com o tumulto, com uma briga, como irá embora. Precisamos de algumas mudanças, como um estádio mais humano e com mais segurança. No +Torcedores, colocamos uma aba, onde é possível fazer denúncias para o Juizado do Torcedor e para a  Delegacia da Mulher. Nosso objetivo não é só incentivar, mas, também, cuidar”.

6) A inspiração dos professores

Filipe faz referência ao professor de Física de sua escola atual, o Renato. “Eu me inspiro bastante nele. Ele me explica como funcionam algumas coisas que eu não sei, e me apoia moralmente. Quando penso em desistir de algum projeto, ele logo diz: Vamos tentar, vamos persistir”.

7) Como lidar com os mais velhos

Quando Filipe criou o filtro de água e quebrou o carvão para fazer o pó, seu tio quis saber o por quê, e disse: “Vai ficar mais sujo ainda!”, conta o jovem em tom bem humorado. Pena que ele nem chegou a ver o filtro funcionando. Para Vinnícius, são apenas algumas descrenças. “É muito importante a gente estar em um ambiente ideal, como a escola, convivendo com pessoas que tragam a verdade, de uma maneira saudável, que não trave os nossos estímulos. O comentário dessas pessoas mais velhas não nos ofende. Recebemos até elogios do Porto Digital pelo nosso nível de maturidade”. Iasmim acrescenta: “Quando fui para o mercado dos tubarões, aconteceram coisas surreais. A galera acha que é menina, então vamos oferecer qualquer coisa. No NAVE era tudo lindo, maravilhoso, mas, no início do +Torcedoras tive alguns contatos bem de má fé. Demorei para poder ressignificar”.

8) O olhar das famílias

“Minha mãe me estimula muito, porque até hoje eu ainda estou sem estágio e sem emprego, e ela me dá um suporte maravilhoso dentro de casa”, conta Iasmim. Vinnícius  fala da receptividade de sua família, não só no âmbito pai e mãe, mas, também, de outros membros, que se mostram bastante empolgados e contentes com as suas conquistas. “Sou o orgulho das tias”. A família de Filipe também apoia suas atividades empreendedoras. “Meu pai sempre diz: aproveite que a oportunidade só vem uma vez e vai embora. Ele se arrepende muito porque meu avô não o incentivava. Quando eu nasci, ele terminou o Ensino Médio, e hoje, aos 46 anos, está fazendo faculdade de História”.

9) Qual a escola ideal?

Na opinião de Vinnícius, é aquela que tenha o apoio tanto dos professores, quanto dos alunos, onde exista uma integração entre o corpo da escola como um todo. Uma escola que oportuniza, que dá voz, que traga empoderamento para os jovens. Acredito que as escolas entendam quais as competências deste século atual, e que a gente também se encaminhe para o nível de escola ideal. Segundo Iasmim, é a escola que desafia, que incentiva, que acolhe, que foque muito na questão da empatia. “A escola tem que entender que ela é o regador, e os alunos, as sementes. Um espaço onde não tenha protagonista definido”.

10) Dicas e oportunidades

Iasmim dá a sua contribuição: “Somos muito influenciados nas redes sociais, mas usem essas redes de uma forma mais eficiente. Ao invés de ficarem seguindo apenas artistas, comecem a seguir pessoas que vão ajudar no seu empreendimento, e entendam como funciona esse universo que vocês querem entrar”. Para Vinnícius, alguns aspectos são fundamentais, como ter referências na sua área¸ ser excelente naquilo que você faz, procurar ajudar e acreditar em você mesmo. Filipe concorda com seus colegas.

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