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Artigo: Práticas educativas em ações extramuros

19/11/2018

Artigo: Práticas educativas em ações extramuros

Por Rafaela Zanete*

Um dos grandes desafios dos programas educativos dos museus na contemporaneidade tem sido integrar ações extramuros às atividades educativas dentro dos seus espaços, propondo vivências com o público em torno das práticas de mediação e atividades voltadas para inclusão e cidadania e as transformações na vida cotidiana dos sujeitos envolvidos e, no próprio museu.

Desde agosto de 2016 o Programa Educativo do Museu das Telecomunicações Oi Futuro desenvolve uma série de atividades de ativação e ampliação de públicos e programas que ultrapassam suas barreiras físicas. Dentre essas ações destacamos o desenvolvimento de parcerias com instituições com perfil de acessibilidades, no atendimento a pessoa com deficiência ( CIAD – Centro Integrado de Atenção a Pessoa com Deficiência), grupos em situação de rua, abrigamento e vulnerabilidade social (Associação São Martinho e Rede de Abrigos e de Atenção Básica e Especial vinculados ao Projeto Circulando, da Prefeitura do Rio), neurodiversos (Residência Assistida Israelita – Casa RAI e CAPS- Centro de Atenção Psicossocial), surdos (INES- Instituto Nacional de Educação de Surdos), refugiados e estrangeiros, (ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidades para os Refugiados e ONG Fala Brasil), população LGBT (ONG Arco-íris), dentre outros.

Nossas atividades estão alinhadas a uma visão de cultura que tem como diretriz o compromisso de promover ações que vão ao encontro das necessidades e interesses dos diferentes públicos, levando em consideração aspectos físicos, sensoriais, cognitivos, cujos objetivos sejam o de melhorar as condições de acesso, bem-estar e acolhimento, como também abrir espaço para novas possibilidades de leitura e uma participação mais efetiva dessas pessoas propondo o desenvolvimento de práticas inclusivas dentro e fora do museu. A relevância principal das atividades extramuros realizadas está no impacto territorial das ações implementadas a partir da programação do museu junto à cidade, integrando arte e educação e no que estas promovem também em termos de qualidade de vida e cidadania para o público.

Além do público habitual na frequência pregressa do museu, e pela própria característica de um perfil institucional bastante singular no que concerne à sua territorialidade e dimensões histórica de seus prédios e acervo, o Museu das Telecomunicações tem um potencial intrínseco muito favorável a ser explorado, vislumbrando ampliação de novas faixas e de públicos bem como na consolidação de parcerias contínuas.

Nossa prática extramuros visa, portanto, o desenvolvimento de ações para públicos diversos, a partir das temáticas presentes no museu e centro cultural, se utilizando de distintas linguagens artísticas, buscando estabelecer uma conexão com o acervo, o patrimônio, a memória e o futuro, a cidade, os modos de vida e os repertórios de cada indivíduo, tendo como principal linha de atuação a criação de contextos provocativos de modo a constituir um ambiente coletivo de aprendizagem.

"Maria Célia T. Moura Santos¹ apresenta-nos o entendimento do museu como um fenômeno social, um espaço relacional, resultado da ação de muitos sujeitos sociais, que estão no interior da instituição e fora dela, e que o constroem e reconstroem a cada dia, compreendendo-os como atores sociais responsáveis por criar contextos educativos para a integração criativa e cooperativa permanente, na construção de projetos em diferentes lugares da cidade e do território."

A realização de ações extramuros em outros ambientes de aprendizagem, nesse sentido, contribuem para ampliar o alcance das ações propostas e os públicos atendidos.

A atuação em diversos territórios, por fim, amplia os modos possíveis de ser um museu que transborda suas barreiras, conceitos e lugares. Um museu que atravessa e é atravessado para além de seus espaços físicos e acervos. Um museu TRANS, transversal e transformador.

* Coordenadora do Programa Educativo do Museu das Telecomunicações.

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