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Diálogos no Musehum: Conexão, a temática central do século XXI

01/03/2021

Diálogos no Musehum: Conexão, a temática central do século XXI

“Preservação em meios digitais: acervos online e curadorias educativas” foi o tema trabalhado no segundo encontro da série Diálogos no Musehum. O debate contou com as participações de André Benedito, do Laboratório de Inteligência de Redes da UNB – Universidade de Brasília; Ingrid Fiorante, coordenadora de Museologia na Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa – SECEC-RJ, e Marcela Rezek, coordenadora técnica do Museu do Café, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. A mediação foi feita por Bruna Cruz, museóloga e coordenadora do Musehum, o Museu de Comunicações e Humanidades do Oi Futuro A série Diálogos no Musehum é uma realização do Programa Educativo Oi Futuro, em parceria com a Coeficiente Artístico Soluções em Arte, e transmitida com acessibilidade em Libras.

No encontro, Ingrid Fiorante lembrou a necessidade de se realizar parcerias não apenas entre museus, mas com outros órgãos públicos e privados. “Temos que entender o museu como polo que vai difundir a informação para todos”. “Gosto de brincar que trabalhamos com o ‘bonde da difusão’. Mas, o que isso muda, na lógica? A área vai pensar na documentação, como um processo que tem começo, meio e fim”, comentou André Benedito. “Mesmo com o Museu do Café reaberto – claro que as atividades presenciais são imprescindíveis – a atuação virtual é importante para ampliar essa participação extramuros das instituições”, ressaltou Marcela Rezek.

Confira abaixo outras dez reflexões de André Benedito, Ingrid Fiorante e Marcela Rezek sobre o tema “Preservação em meios digitais: acervos online e curadorias educativas”.

1)Projetos e ações que envolvem o compartilhamento digital

A museóloga Ingrid Fiorante compartilhou a sua experiência na SECEC-RJ.  Falou sobre as ações de políticas públicas, a partir das oficinas e das assessorias prestadas dentro do Programa Estadual de Museus. “Temos uma logística de muita escuta e muita troca”. Na área da documentação museológica, acentuou ser muito importante que a instituição realize um inventário mínimo de seu acervo e coleções, sugerindo uma planilha de campos. É necessário traçar uma estratégia. Isso auxilia na catalogação, na digitalização e na posterior difusão. Outro ponto é a preservação, principalmente na área digital, mantendo os arquivos organizados, fazendo os backups, sempre em relação aos dados e às imagens. “Como vivemos um avanço tecnológico muito rápido, é fundamental ter a noção do conteúdo e guardar em arquivos que possam ser migrados”. Em relação à interface, à pesquisa e à educação, é preciso saber quais os objetos considerados mais importantes, mais visitados ou mais pesquisados, bem como as curiosidades.

2)A importância das parcerias

Temos boas universidades e centros de pesquisas”, relata Ingrid, lembrando exemplos como a Wikipedia [enciclopédia multilíngue de licença livre], que trabalha com projetos em parceria com universidades e colaboradores, realizando uma maratona de edição para várias áreas, incluindo a Museologia. Ressalta as coleções de diferentes museus que falam sobre um mesmo assunto. “Reunir um único tema sob a ótica de vários museus é uma forma de se conseguir maior potencial da ação educativa. Significa um trabalho em rede, e não uma ação isolada”. Ingrid destaca o projeto iniciado na Funarj, em 2008, que evoluiu em 2014 para outros museus no Rio de Janeiro, no sentido de construir uma política estadual colaborativa. É utilizado o SISGAM (Sistema de Gerenciamento de Acervos Museológicos), como principal ferramenta de documentação e gestão de acervo, e isso contribuiu muito para que houvesse essa troca, essa junção da pesquisa, da educação e da documentação entre vários museus. Hoje, essa rede conta com 35 instituições. Outro projeto, desta vez, via Unirio, é o NUGEP (Núcleo Multidimensional de Gestão do Patrimônio e de Documentação em Museus), que realiza um mapeamento dos objetos e coleções sobre cultura popular, localizados em museus no Estado do Rio de Janeiro. A nível internacional, através da plataforma Google Arts & Culture, há um projeto sobre a História da Moda Brasileira, e entre as instituições envolvidas, está o Museu Carmem Miranda, no Rio de Janeiro. “Quando se tem um acervo organizado, tudo se torna mais fácil”.

3)A interface educativa e informativa para a questão da preservação

André Benedito falou sobre a sua trajetória de trabalho com acervos digitais, desde 2016. Formado em Biologia, ele cita o Projeto Tainacan, software que vem sendo desenvolvido na Universidade de Brasília, com uma série de parceiros. “Eu aceitei o convite porque  traria não apenas a minha bagagem, como biólogo, mas, também, da cultura digital. Ao mesmo tempo, era um pouco assustador. Será que vai dar certo? Vou lidar com outros profissionais, museólogos com conhecimentos sobre documentação e, eu, naquela época, estava apenas caminhando. Mas entendi que ali era um encontro, em que tínhamos uma série de metodologias e conhecimentos que poderiam acelerar muito o trabalho dos profissionais de museus”. Hoje, André coordena uma equipe responsável pelo suporte, uso do software e, principalmente, tratamento de dados. Já colocaram no ar 44 acervos e trataram 372 mil itens. “Nosso foco é pensar a difusão”. Um dos principais parceiros desse trabalho é o Instituto Brasileiro de Museus. A iniciativa já beneficiou 16 museus e a ideia é atingir, aproximadamente, 30 museus. André conta que os profissionais passaram por algumas resistências. “Primeiro, chega um biólogo para trabalhar com eles. Segundo, ‘eu já vi esse projeto’. E começamos a trazer uma metodologia diferente, que é um tratamento e uma migração carinhosa dos dados”.

4)Não podemos ficar refém do software

Segundo André, ao migrar os dados, abre-se uma janela de oportunidades, sempre visando uma melhor recuperação da informação. Ele cita um trabalho realizado durante dois meses para o Museu do Ìndio. “Eu, como biólogo, abro a base e vejo que tem muita matéria prima, referente a animais, plantas, e hoje é possível procurar um material específico”. Toda a jornada é feita em parceria com as instituições. Há, também, a questão da tecnologia, seja em relação aos profissionais, que estão auxiliando, ou, até mesmo, o software. ‘É muito comum as instituições ficarem reféns de um determinado software. Temos que observar se está nos facilitando ou dificultando”. Além do Instituto Brasileiro de  Museus, André cita outras parcerias,  junto ao Forte Copacabana,  IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e Funarte. “Tentamos colocar a mesma metodologia, que é a valorização profissional. Um dia mexemos com arte sacra, outro com selos, outro com equipamentos de telecomunicações. É um trabalho extremamente interessante!”

5)O Museu do Café

Formada em Arquitetura e especializada em reestruturação de patrimônio, Marcela Rezek atua na área cultural desde 2000, e conta sua experiência no Museu do Café, localizado na cidade de Santos, em São Paulo. “No último ano, adotamos um sistema de trabalho em rede compartilhada. Somos uma equipe muito enxuta”. Cada setor dá suporte ao outro e, para facilitar essa interlocução, foi instituída, em 2017, uma comissão técnica, com representantes de todas as áreas. Com o fechamento do Museu, durante a pandemia, perceberam que havia uma oportunidade de potencializar a atuação em ambientes virtuais, “aliás, o que já fazíamos, de uma certa forma”. No caso do banco de dados, ele é  acessível apenas entre as instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, mas não ao público. “Abrimos duas frentes: uma dos conteúdos produzidos e outra de formação das atividades participativas do público. Ensaiamos, inicialmente, a necessidade de trazer o acervo para dentro do site do Museu. Consideramos um processo de escuta, já realizado anteriormente, e as impressões do setor Educativo, que tem esse contato direto com o público, devido à sua expertise no processo pedagógico. Assim, construímos uma cartela de atividades, envolvendo vários nichos no ambiente virtual. Para as redes sociais, optamos pelo modelo de séries. Também trouxemos projetos de pesquisas, o trabalho de bastidores, dicas de conservação de acervos. Percebemos uma boa devolutiva do público, com muitas curtidas, comentários e compartilhamentos”.

6)Uma rede de experiências

Além da intensificação das exposições virtuais, Marcela cita a maior utilização da   plataforma do Google Arts. Muitas lives e webinars contribuíram não apenas para o processo pedagógico das pessoas que participaram, mas também, para a abertura de novos canais de conversa com outras instituições. “Desenvolvemos uma rede de experiências, e tudo isso acabou se desdobrando em ações futuras”. Ela relata duas delas, uma com a Fundação Casa, criando uma mediação online e disponibilizando um kit de trabalho, onde conseguiram mais assistidos do que no presencial, e a outra foi uma ação  via WhatsApp, por mensagem, em que o Educativo provocava uma conversa com um grupo da Terceira Idade parceiro, trazendo questões de memória, entre outros assuntos. Alem da promoção de visitas mediadas virtuais, Marcela citou a atuação do Centro de Preparo do Café para a formação de baristas, com dicas de preparo e qualidade, através de cursos virtuais e lives.

7)Os ambientes virtuais e as novas plataformas sob a ótica da acessibilidade

Diante do tema de grande relevância nos dias atuais, cada um dos três participantes do encontro, revela, abaixo, a sua opinião:

8)O que pensa Marcela Rezek

“É uma discussão que sempre temos dentro do Museu do Café, e o Educativo, mais uma vez, é o setor que traz essa questão da acessibilidade. Não é uma coisa que se faça de uma hora para outra. Estamos sempre em aprendizagem. Na próxima semana, por exemplo, teremos uma palestra sobre o tema. Estamos iniciando os processos de melhora”.

9)A visão de André Benedito

“Vejo como um grande desafio. Temos pensado e desenvolvido algumas especialidades, mas ainda está muito aquém do ideal. Trabalhamos com imagens. E essas imagens têm, de um lado, uma camada de software, e, do outro, a documentação. Ainda há um longo caminho para dizer que o Tainacan está cem por cento resolvido”.

10)Palavras da Ingrid Fiorante

“Realizamos um minicurso. O primeiro passo é despertar a questão da acessibilidade internamente, e fazer um esforço para pensar todos os projetos que orientamos com esse propósito”.

 

 Confira aqui o encontro na íntegra!

 

 

 

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