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Diálogos no Musehum: todos são atores da mudança

26/03/2021

Diálogos no Musehum: todos são atores da mudança

Não é de hoje que se discute a relação dos museus com seus contextos sociais e como essas instituições podem pensar e desenvolver atividades para dinamizar a sua atuação. O terceiro encontro da série Diálogos no Musehum aborda o tema “Museus, engajamento e participação social”, e tem como convidados Rhoana Nunes, assistente de Relações Comunitárias do Museu do Amanhã, e Filipe Ubaldo, Subsecretaria de Promoção e Proteção do Idoso – SUBPPI, da Secretaria Municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida – SEMESQV – Prefeitura do Rio. A mediação é de Rafaela Zanete, coordenadora do Programa Educativo Oi Futuro / Coeficiente Artístico.  A série Diálogos no Musehum é uma realização do Programa Educativo Oi Futuro, em parceria com a Coeficiente Artístico Soluções em Arte, e transmitida pela plataforma Zoom, com acessibilidade em Libras.  

“Continuamos com a nossa programação online, sempre pautando a premissa de que a ciência salva vidas. É o nosso maior discurso, em tempos muito incertos e negacionistas”, ressalta Rhoana Nunes. “Não tenho expertise para falar sobre museus, não sou museólogo. Mas, tenho especialidade em gente, como assistente social, com o trabalho de anos que a gente vem desenvolvendo”, observa Filipe Ubaldo.

Confira abaixo outras dez reflexões de Rhoana Nunes e Filipe Ubaldo sobre o tema “Museus, engajamento e participação social”.

1) O Museu do Amanhã na área de Relações Comunitárias

Graduada em Relações Internacionais pela UFRJ e cursando uma especialização em História da África e da Diáspora Africana pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), Rhoana Nunes acredita que usar a área de Relações Comunitárias, onde atua, irá engajar a comunidade para refletir sobre a proposta museal que está sendo baseada. 

“Acho que não há somente um espaço de memória. É um museu vivo, que vai transmitir e receber conhecimento da comunidade, do território. Essa é uma das nossas questões norteadoras, junto aos nossos vizinhos. Montamos uma rede em conjunto para atuar e trocar com a região, aprofundando, cada vez mais, todas as temáticas que são propostas”, disse Rhoana. 

2) Derrubando barreiras

Rhoana falou sobre o Programa “Vizinhos do Amanhã”, um dos carros-chefe da instituição, que permite a entrada gratuita aos cerca de 30 mil moradores da Região Portuária – distribuídos pelos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo e os morros da Conceição, Pinto, Providência e Livramento. “Dentro do programa, trabalhamos essa aproximação, pautando os amanhãs que construímos juntos”, afirmou. 

3) Projeto Circulando, o direito à cidade

Bacharel em Direito e em Serviço Social, Filipe Ubaldo é parceiro do Programa Educativo Oi Futuro desde 2018, e atua como um dos grandes mobilizadores do Projeto Circulando. “São oito anos em que estamos nessa resistência de acesso, de direito à cidade. Uma das questões observadas é que o direito à cidade não pode ser visto como uma mercadoria. Garantir a disputa de espaço e colocar na agenda pessoas em situação de rua, pessoas em cumprimento de medidas socioeducativas, não é um processo fácil”.

4) Poder público e as instituições de cultura: caminhando juntos

Parafraseando Fábio Moraes, também da Subsecretaria de Promoção e Proteção do Idoso, Filipe ressalta: “Embora muitas instituições de cultura, no sentido amplo, sejam feitas para todas as pessoas, nem sempre são pensadas para todas as pessoas”. Para ele, garantir o acesso é um desafio, e o poder público tem essa missão, inclusive constitucional. “Estamos criando metodologias, ferramentas e engajamentos para tudo o que foi pensado pela nossa Carta Cidadã”. 

5) Relato de outras experiências 

“As boas práticas precisam não só ser replicadas, como, também, publicizadas”, enfatiza Filipe, lembrando uma experiência na Ilha do Governador. “A Rafaela (Zanete), junto a sua incansável equipe, propuseram que nós construíssemos uma ação para se pensar numa cápsula do tempo. Ao ter contato com o público, foi diagnosticado que, às vezes, trabalhar com o passado de pessoas que já foram tão violadas em suas vidas, em seus direitos e acessos, era algo muito complexo. E, durante a construção desse processo, uma sensibilidade enorme de escuta mudou toda a metodologia, resultando, inclusive, numa exposição aberta ao público, em 2019”.  Filipe citou outras experiências, como a da Casa do Catete, abrigo de meninos adolescentes, e o “Desculpe Incomodar”, seminário que dá visibilidade a pessoas em situação de rua. “Iniciativas que precisam ser celebradas como troféu, como vitória”, enfatizou. 

6) Esforço na pandemia

Em relação ao Museu do Amanhã, Rhoana conta as ações mais recentes, como a contribuição junto à Fiocruz e ao Dados do Bem [ferramenta que usa a inteligência de dados para analisar a evolução da imunidade na população ao Covid-19]. “Mesmo fechado durante essas semanas, estamos promovendo, no Museu, um posto de testagem. No ano passado, ativamos nossa rede de parceiros e patrocinadores, e conseguimos alavancar a campanha ‘Seja Amigo do Nosso Vizinho’, também chamada de ‘Amigo Solidário’. Foi um esforço em conjunto de captação para ajudar, de forma mais direta, os nossos vizinhos, resultando na doação de cartões alimentação durante dois meses”. 

7) Plano museológico

“Estamos pautando toda a nossa programação, a partir dos ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas]. Atualizamos o plano museológico em 2020, com as premissas de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade, e a construção, a partir da troca dos conceitos teóricos e práticos. Todas as nossas ações são realizadas através da escuta do vizinho sobre o que é mais interessante para a região”, observa Rhoana.

8) A cultura como elemento transformador

“Não estamos a fim de romantizar a pobreza, nem a miséria, nem as mazelas da nossa sociedade. Sempre desenvolvemos trabalhos em torno da potência. Entender a potência em seus desejos, suas individualidades. Nossa ideia é oportunizar a cultura como uma porta de entrada para acessar outros direitos, sobretudo, nesse momento atual de ansiedade coletiva e nervos à flor da pele. Precisamos de uma rede de solidariedade com nossos pares, garantindo a ampliação do acesso à cultura e à arte ao segmento que está super em vulnerabilidade”, ressalta Filipe. 

9) Juntos, conseguimos caminhar melhor

Para Rohana, não dá para pensar em nenhuma solução ou futuro como uma questão individual. “Precisamos pautar os amanhãs coletivamente. É a partir da união dos equipamentos culturais com os espaços de assistência, e cada um na sua especificidade, pensando em como podem colaborar durante esse momento”. 

Dentro da perspectiva do Museu do Amanhã, ela destaca dois trabalhos: o “Coral Uma Só Voz”, que busca resgatar a dignidade e a autoestima dos participantes através da arte, e o “Transportar para o amanhã”, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social, que propõe o acolhimento institucional e o trabalho social de capacitação profissional e inclusão produtiva às pessoas LGBT+ em situação de rua.  “Através dessa educação artística cultural, juntos, conseguimos caminhar melhor”. 

10) Cada ação tem a sua estratégia

Filipe ressalta a importância do setor de Educação nas instituições. E complementa: “É fundamental a adesão dos pequenos produtores e dos museus de bairro. Existe um desafio em relação aos meios exclusivamente digitais. A maior parte da população brasileira tem pacotes de internet pré-pago. Não existe hoje uma solução universal. O que temos disponível é o digital. Precisamos criar estratégias para cada ação. Em algumas conseguimos fazer a acessibilização do público com antecedência. Temos parceiros para promover a captação de acesso através da sua relação comunitária, na casa do vizinho, de algum parente, mas a internet ainda é um artigo de luxo”, finalizou. 

Você pode conferir a íntegra do encontro online sobre o tema “Museus, engajamento e participação social” aqui.

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