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Teatro on demand: assista a estreia online da peça “Guerra de Iperoig”

11/12/2020

Teatro on demand: assista a estreia online da peça “Guerra de Iperoig”

Silvero Pereira e Aury Porto em cena.

A nova temporada do teatro on demand do Centro Cultural Oi Futuro apresenta, online e gratuita, a peça “Guerra em Iperoig” entre os dias 14 e 17 de dezembro, às 20h, no Youtube do Oi Futuro. De roteiro adaptado à linguagem digital com cenas pré-gravadas e ao vivo, a peça, que marca a estreia nacional do espetáculo dirigido pela Mundana Companhia, será transmitida diretamente do Teatro Oi Futuro.

Guerra em Iperoig nasce de um convite de Bruno Siniscalchi para a Mundana Companhia, a partir de uma ideia inicial de André Santana de pesquisar a Confederação dos Tamoios. “O tema fez todo o sentido para a companhia, uma vez que estamos num país nascido da guerra e que se faz e refaz a cada dia pela guerra. Mas é uma guerra de extermínio do diferente, oposto ao sentido que tem a guerra para os povos Tupinambá”, diz o ator e um dos criadores da companhia, Aury Porto.

A história faz uma reflexão sobre como a guerra travada entre portugueses e tupinambás em meados do século XVI na região de Iperoig, hoje Ubatuba (SP), se reflete nas relações de exploração dos povos indígenas até hoje. É um olhar que inspira uma interpretação do Brasil através dos séculos.

“A montagem propõe uma reflexão, à luz do nosso passado histórico, sobre nossa sociedade, em toda a sua complexidade. Um fato que atravessa toda a história do Brasil.”, completa Aury. No roteiro, cenas da mitologia tupinambá interagem com textos construídos a partir das visões dos colonizadores e dos colonizados.

Participa do elenco o ator  Silvero Pereira (o Lunga de ‘Bacurau’ e o Nonato de ‘A Força do Querer’) e a atriz Mariana Ximenes. A encenação parte das limitações impostas pela pandemia da Covid-19, restringindo o número de atores por cena e preservando o distanciamento.

Sobre IPEROIG

Em 1500, os portugueses chegaram no Brasil. Em 1534, o Rei de Portugal autorizou, aos donatários das capitanias hereditárias, a escravização indiscriminada dos índios brasileiros. Em 1554, cinco chefes tupinambás se reuniram e fundaram a Confederação dos Tamoios, com o objetivo de enfrentar os portugueses e resgatar índios escravizados. Em 1563, percebendo que a Confederação dos Tamoios venceria essa guerra, Portugal enviou os padres Nóbrega e Anchieta para firmar a “Paz de Iperoig”, no local onde é hoje a cidade de Ubatuba, em São Paulo. Em 1567, os portugueses travam a “guerra justa” contra o povo de Cunhambebe, Aimberê, Pindobuçu, Araraí e Coaquira.

A traição dos portugueses, no episódio da “Paz de Iperoig”, que levou à quase total dizimação dos Tupinambá, foi a primeira de uma série ininterrupta de traições aos brasileiros do litoral e ao litoral brasileiro em si. As histórias de traição se repetem de tempos em tempos nessa faixa litorânea, entre Cabo Frio (RJ) e São Vicente (SP), território da ex-grande Nação Tupinambá.

A peça faz esta trajetória entre os Tupinambás e os colonizadores, do mito ao Anchieta – o grande diplomata que intermediou a relação entre eles –, passando pela guerra travada posteriormente após terem se aliado para expulsar os franceses do litoral do Rio de Janeiro. A leitura da Mundana Companhia é a história das guerras de colonização, da guerra entre os naturais da terra de todas as Américas e os povos colonizadores, que passa pelo apagamento e esquecimento e, nesse enredo, termina com uma revolta estética e ideológica dos indígenas.

 

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