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#NAVE15anos: Papo de Futuro debate os rumos da educação no Brasil

25/11/2021

#NAVE15anos: Papo de Futuro debate os rumos da educação no Brasil

Na edição desta quarta-feira (24) do Papo de Futuro, sobre o tema “Desafios para Inovar na Educação: Especial NAVE 15 anos”, convidamos Richardson Lima e Sayonara Bittencourt, egressos da Escola Técnica Cícero Dias – NAVE Recife, e Fabio Campos, doutorando em Ciência da Aprendizagem na Universidade de Nova York e ex-diretor da área de Educação do Oi Futuro. Eles debatem sobre a importância do NAVE (Nucleo Avançado em Educação) para o país e para a transformação no ensino, ao longo de seus 15 anos de existência, com mais de 3 mil alunos formados. O evento online marcou o lançamento da landing page comemorativa de 15 anos do NAVE, que conta um pouco da história do projeto e de alunos e educadores que ajudaram a construir esta trajteória.

A mediação é de Roan Saraiva, ex-aluno do NAVE e hoje analista de Educação do Oi Futuro. Ele apresentou, na ocasião, uma síntese do Programa, os números atingidos e algumas histórias inspiradoras de alunos e educadores. A série Papo de Futuro, organizada pelo Oi Futuro, é transmitida pelo canal do Instituto no Youtube, com acessibilidade em Libras.

“O NAVE me ensinou tudo o que eu sou hoje em dia: uma pessoa que gosta de colaborar, de ser criativa, curiosa”, reconhece Sayonara Bittencourt. “O NAVE foi a minha casa no Ensino Médio e hoje é a minha casa de trabalho”, diz Richardson. “O NAVE tem uma missão muito importante que é ser ponta de lança. São 15 anos de programa, e o setor público precisa fazer mais coisas do tipo NAVE”, ressalta Fabio Campos.

Confira na íntegra o Papo de Futuro:

Abaixo dez reflexões de Richardson Lima, Sayonara Bittencourt e Fábio Campos sobre o tema “Desafios para Inovar na Educação: Especial NAVE 15 anos”.

A trajetória de Fabio Campos

Formado em Comunicação pela UFRJ, desde a época da faculdade tinha uma ‘identidade secreta’ e dava aula no pré-vestibular comunitário. “Enquanto eu me formava comunicador, de um lado, eu me apaixonava por educação popular, do outro. Continuei com essa vida dupla durante uns 15 anos, até que eu decidi ‘sair do armário’, como educador”. Fabio começou a trabalhar com Educação de jovens no terceiro setor, teve uma passagem pela Prefeitura do Rio de Janeiro, esteve no Oi Futuro, onde coordenou a área de Educação, fez mestrado e, agora, doutorado nos Estados Unidos, cursando Ciências da Aprendizagem.

Sobre Richardson Lima

Na sua trajetória no NAVE Recife, ele não foi, logo de inicio, para a Educação, e sim, para a Tecnologia. Está concluindo o curso de Engenharia da Computação. Teve a oportunidade de começar no NAVE como professor, mas eis que durante a pandemia, se apaixonou pela área de Educação, e começou a formação em Pedagogia. “Minha ideia é mesclar tanto a Tecnologia quanto a Educação”.

Quem é Sayonara Bittencourt

Cursou o NAVE Recife entre 2010 e 2012. Gostava de fazer design de posters e montagens de fotos de filmes, e tinha um blog de linguagens visuais. “Minha mãe descobriu o NAVE através de um amigo que era professor e, assim, entrei no Cícero Dias. Passei três anos estudando muito, e ingressei na Federal de Pernambuco, no curso de Bacharel em Design. Mas, nesse meio tempo fui para a Irlanda, onde me formei na Universidade Tecnológica de Dublin”, conta Sayonara. Hoje ela trabalha como designer de produto para um classificado na Irlanda.

A transição de aluno para professor

“Quando eu saí do NAVE, em 2015, nunca perdi o contato, nunca perdi a conexão, estava presente em todos os eventos”, conta Richardson. “Teoricamente, o NAVE nunca saiu de mim. A oportunidade surgiu quando o professor Anderson, que tinha me dado aula no Ensino Médio, me convidou para fazer um estágio. E eu aceitei, de imediato. Porém, foi o estágio mais rápido da minha vida. Fiquei apenas um mês estagiando, e fui contratado como professor integral”. Hoje, Richardson agradece muito ao seu antigo professor por todas as oportunidades recebidas, e se refere a ele com muita saudade. O professor Anderson foi uma das vítimas da Covid 19, em 2020. “Eu espero que o legado dele, pelo menos, viva em mim”.

A transformação que o NAVE proporcionou

Aos 27 anos, hoje Sayonara coloca em prática tudo o que aprendeu no NAVE. Ela conta sobre o caminho traçado até a Irlanda. “Eu, na verdade, sempre fui muito apaixonada pela área de Design e de desenvolvimento de sites. E curiosa também. A pessoa que mais me influenciou foi meu pai, que me levou à escola pela primeira vez e me fez reconhecer que muitas portas seriam abertas para o meu futuro. Eu entrei no NAVE já com essa cabeça, e encontrei uma rede de apoio enorme lá dentro para poder me ajudar. Muitos dos meus amigos ainda são da época do NAVE. Tive matérias que me ajudaram bastante a passar no vestibular”. Sayonara destaca os inúmeros projetos em grupo. “Era exatamente tudo o que a gente precisava na vida profissional. E, antes mesmo de eu saber a minha nota do ENEM, já tinha um estágio. Bati na porta das gráficas de Recife e perguntava: Vocês estão precisando de designer? E, numa dessas batidas de porta deu certo”. Ela passou um mês na gráfica, depois atuou na área de consultoria. “Eu não gosto de trabalhar sozinha, quero ter contato com gente, gosto de ter uma relação com alguém que vai criar algo comigo. Desde que cheguei na Irlanda, tentei me manter no mercado daqui”.

A grande contribuição do Programa

A partir de sua experiência como educador e pesquisador, Fábio analisa: “A escola tem que ser significativa para o aluno. Para isso, precisamos de uma escola humanista, a que engrandece o ser humano. O problema é que a gente tem muito medo do aluno, marginalizamos o aluno dentro da escola, diminuímos as questões dele. É muito comum que educadores coloquem a vontade do aluno no canto”. Citando Paulo Freire, Fábio se refere à “cultura do silêncio” na sociedade. “As pessoas se acostumam com uma posição de não usar sua voz, de não falar. Tem escola que propaga um modelo de silêncio. Um exemplo é o que está ocorrendo no Brasil hoje. Tem a tal escola cívico-militar, e esse modelo que vem sendo proposto, baseado em obediência, em hierarquia, em punitivismo, é o que menos incentiva ao aluno ter a sua própria voz. Escolas como o NAVE são as que incentivam ao aluno ter essa voz e essa autoexpressão. O que o NAVE oferece gratuitamente como parte do sistema público de Educação só é encontrado fora, gastando-se muito dinheiro. Os mais ricos do Brasil têm uma Educação altamente criativa, freiriana”. Fábio também analisa a ponta dos educadores. “Por mais que o NAVE seja uma escola que ensine várias coisas técnicas, eu diria que elas são só um detalhe. O importante é treinar os educadores em como apoiar os projetos de seus alunos. O mais legal é o professor que sabe escutar o aluno. E isso o NAVE tem uma grande responsabilidade em nosso País”.

Como definir a Educação do futuro

Para Richardson, é uma Educação que transporta para o educando uma visão de mundo geral. Não é uma Educação voltada apenas para o conteúdo. Por exemplo: Matemática, Química, são importantes. Mas, um diferencial do NAVE é que o aluno saia da escola e consiga visualizar vários caminhos, e escolha o que mais se encaixe, o que mais se adapte a ele. Sayonara acredita que o futuro da Educação deva ser colaborativo. “De tudo o que eu trouxe do NAVE, o que mais ficou comigo foi o aspecto de colaboração. Aprendi muito mais do que o modelo de Educação que eu tive antes, que era o de apenas ouvir, memorizar”. Fábio dá a sua contribuição: “Não precisamos falar, necessariamente, sobre a Educação do futuro se a gente não resolveu a Educação do presente. Temos que pensar qual a melhor Educação possível para o presente. E eu acho que é a Educação que responde a dilemas e pressões sociais que estamos vivendo hoje”.

Alcançar os sonhos e realizar projetos de vida

Richardson acha essencial que a escola mostre vários caminhos para os alunos. “Quando entrei no NAVE não sabia nem o que era programação, e desconhecia a existência de diversas áreas de atuação profissional que eu poderia seguir. Acho que o aluno deve tomar o protagonismo da sua vida e seguir em frente”.

A importância do ensino Mão na Massa

Em suas aulas, como educador, Richardson costuma pregar sempre o “aprender fazendo”. E acrescenta: “o professor não é o dono do saber. Alimentar o fogo e manter esse fogo é papel do aluno, buscando o conhecimento e melhorando naquela habilidade que o professor deu a base”. Fábio complementa: “Há várias formas de se aprender fazendo. Em si, fazer, não é uma metodologia. Eu diria que o educador tem que saber orientar esse processo. Não adianta formar o educador numa sala de aula, é preciso formá-lo com o Mão na Massa”. Sayonara dá a sua visão como aluna: “O ensino Mão na Massa é tão mais legal! Abre tanta oportunidade para você poder resolver o problema. Porque a gente não passa o resto da nossa vida fazendo conta de Trigonometria. Para mim, é esse ensino que nos ajuda a entender como é a realidade das coisas, principalmente, no mercado de trabalho”.

O que torna uma Educação inovadora

“Muita gente associa a inovação à tecnologia, mas não é só isso. Às vezes, um professor que não tem acesso à tecnologia pode inovar só utilizando a metodologia dele, a didática dele. Podemos inovar de várias formas, até de métodos arcaicos”, observa Richardson. Para Fábio, “a tecnologia é secundária. A tecnologia humana é a mais importante. O professor é um desenhista de experiências de aprendizado, ele tem que se colocar nesse lugar. A finalidade dele é fazer com que o aluno tenha experiências memoráveis que sirvam para a vida toda. Precisamos de gente com responsabilidade social”. Sayonara concorda e conclui: “Para mim, o que torna uma Educação inovadora é a colaboração criativa. É aquela que dá esse espaço seguro para que as pessoas se sintam confortáveis”.

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