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Nova exposição do Centro Cultural Oi Futuro reúne obras de artistas mulheres da América Latina

11/01/2021

Nova exposição do Centro Cultural Oi Futuro reúne obras de artistas mulheres da América Latina

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Reforçar a força feminina na arte contemporânea: esse é o propósito da exposição “Una(S)+”, em cartaz no Centro Cultural Oi Futuro a partir de 13 de janeiro. Com curadoria de Maria Arlete Mendes Gonçalves, a mostra reúne 80 trabalhos de 15 artistas mulheres da Argentina e do Brasil e ocupa todo o prédio do nosso centro cultural, do térreo ao último andar, passando pelas galerias, escadas e elevador. A exposição, que inaugura a programação do Oi Futuro em 2021, segue todos os protocolos de segurança sanitária previstos pelos órgãos responsáveis. “Una(S)+” fica em cartaz até o dia 28 de março e as visitas devem ser agendadas por meio do site https://oifuturo.org.br/reaberturacentrocultural/ ou por telefone: (21) 3131-3060.

“’Una(S)+’ é a exposição ideal para abrir a programação 2021 do Oi Futuro, já que nasce de três elementos que são fundamentais no momento que estamos vivendo: coletividade, diversidade e diálogo. É uma grande coletiva que reforça o feminino no mundo das artes visuais e não deixa de ser simbólico, nesse tempo de fronteiras fechadas, fortalecer a troca entre artistas de países diferentes” diz Roberto Guimarães, gerente executivo do Cultura do Oi Futuro.

A exposição traz dois momentos dos trabalhos das artistas: os selecionados por serem emblemáticos de suas trajetórias e os criados durante o confinamento em suas casas, em que não dispunham da estrutura do ateliê e nesta condição “ampliaram seus campos de trabalho e ousaram lançar mão de novas linguagens, materiais, tecnologias e redes para romper o isolamento e avançar por territórios tão pessoais quanto universais: a casa, o corpo e o profundo feminino”, explica Maria Arlete Gonçalves. “São obras de artistas de gerações distintas e diferentes vozes, a romperem as fronteiras geográficas, físicas, temporais e afetivas para somar potências em uma grande e inédita ocupação feminina latinoamericana”, assinala a curadora. Prevista inicialmente para maio de 2019, e adiada duas vezes por conta do coronavírus, a exposição “ganhou um caráter mais amplo, ao incorporar o estado quarentena da arte”.

Maria Arlete complementa: “Poderíamos classificá-la como antes e durante a pandemia, AP e DP, não fosse este um tempo de suspensão, onde tudo se encontra em um eterno agora”. “A exposição é o desdobramento expandido da mostra de mesmo nome realizada em 2018 em Buenos Aires pela artista portenha/carioca Ileana Hochmann, a partir de sua instalação “Fiz das Tripas, Corazón”.

As artistas que integram a exposição são, da Argentina: Fabiana Larrea (Puerto Tirol, Chaco), Ileana Hochmann (Buenos Aires), Marisol San Jorge (Córdoba), Milagro Torreblanca (Santiago do Chile, radicada em Buenos Aires), Patricia Ackerman (Buenos Aires), Silvia Hilário (Buenos Aires); do Brasil: Anna Carolina Albernaz (Rio de Janeiro), Bete Bullara (São Paulo, radicada no Rio), Bia Junqueira (Rio de Janeiro), Carmen Luz (Rio de Janeiro), Denise Cathilina (Rio de Janeiro), Evany Cardoso (vive no Rio de Janeiro), Nina Alexandrisky (Rio de Janeiro), Regina de Paula (Curitiba; radicada no Rio de Janeiro) e Tina Velho (Rio de Janeiro).

Maria Arlete Mendes Gonçalves destaca que esta exposição “não trata apenas de mostrar obras de mulheres, mas de afirmar na força desse conjunto a potência feminina na arte contemporânea”. “Ao longo dos séculos houve um apagamento da mulher na arte, e agora não estamos mais no tempo de pedir licença, de reivindicar, mas de afirmar algo que já é. As mulheres nunca produziram tanto! Durante a pandemia, a mulher se aproximou mais ainda da tecnologia, se apropriou das ferramentas, novas linguagens”, afirma. A curadora diz que buscou a “interseção do feminino dentro do trabalho dessas artísticas”. “Faltam mais referências femininas na história da arte, e a mostra busca preencher lacunas”, diz. “Una em espanhol é alguma, aquela uma, e também nos dá a ideia de unir, juntar”.

 

 

FIZ DAS TRIPAS, CORAZÓN

Em 2018, a artista portenha/carioca Ileana Hochmann, a partir de sua instalação “Fiz das Tripas, Corazón”, em Buenos Aires, convidou artistas contemporâneas da Argentina e do Brasil, baseadas no Rio de Janeiro. “A repercussão, o diálogo e a integração geradas pelas obras de mulheres em Buenos Aires e Rio de Janeiro, duas cidades próximas, hermanas, mas ainda distantes em matéria de trocas artísticas contemporâneas, despertou nas próprias participantes e nas redes sociais a pergunta ‘quando a mostra irá para o Brasil?’”, lembra Maria Arlete Gonçalves. “Não há conexão entre os circuitos de arte do Brasil e da Argentina, e entre Brasil e o restante da América Latina. A exposição busca colaborar com este diálogo e consolidar no Rio a outra ponta da ponte artística, lançada em Buenos Aires, entre os dois países”.

A curadora destaca que acompanha o trabalho de Ileana Hochmann desde os anos 1970. Nascida em Buenos Aires, a artista veio com a família para o Rio na infância, e na adolescência cursou a Escola Nacional das Belas Artes e teve aulas de desenho com Ivan Serpa e de gravura com Eduardo Sued, no MAM, elegendo a serigrafia como seu meio de expressão, criando novas abordagens e suportes, como acetatos industriais e materiais naturais e orgânicos, saindo da superfície plana para a tridimensionalidade. Nos 1990 deu aulas na EAV Parque Lage sobre serigrafia em vários tipos de matrizes. Mudou-se para Buenos Aires em 2001, mas manteve as conexões com o circuito da arte carioca.

 

Sobre Maria Arlete Mendes Gonçalves

Jornalista e publicitária pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria Arlete Gonçalves dirigiu o Museu do Telephone de 1997 a 2000. Em 2001, participou da criação do Instituto Telemar, atual Oi Futuro, onde atuou como diretora de cultura por 12 anos. Em 2013, desligou-se da direção do Oi Futuro e criou a MAG Consultoria, voltada para institutos, fundações, organizações, artistas e coletivos na criação, desenvolvimento e implantação de ações estratégicas nas áreas da economia criativa, com ênfase na cultura, arte, comunicação e sustentabilidade. Desde então, entre outras atividades, fez a conceituação e o desenvolvimento do programa de arte/educação da Casa Roberto Marinho; a curadoria e elaboração da e-trilha Eu, Cultura, do Instituto Natura; planejamento de comunicação e conteúdo do Instituto Brasileiro do Audiovisual/ Escola de Cinema Darcy Ribeiro; e consultoria e elaboração do programa MAR+5 do Museu de Arte do Rio. Entre 2017 e 2018, foi cocuradora da exposição “Una(S)”, em Buenos Aires, e curadora da exposição “Celacanto”, do fotógrafo Odir Almeida, no Oi Futuro, no Rio. Em 2019, participou da elaboração do Plano de Trabalho MAR/BNDES, para a criação da Bienal Internacional do Rio – Arte, Natureza,Tecnologia.

 

SERVIÇO:

Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro 63 – Flamengo – Rio de Janeiro)

Visitação pública: 13 de janeiro a 28 de março de 2021

Serão observados todos os protocolos de segurança sanitária, com visitação por agendamento. Clique aqui para informações e agendamento.

Entrada gratuita

 

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