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DANIELA KLAIMAN: ‘Negar as mudanças é a pior coisa que se pode fazer”

17/07/2020

DANIELA KLAIMAN: ‘Negar as mudanças é a pior coisa que se pode fazer”

Por The Shift

Daniela Klaiman é futurista, formada pelo Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém, e especialista em comportamento do consumidor. Ela é uma das 16 especialistas em futuro, tecnologia, arte e comportamento que fazem parte do line-up do Festival Oi Futuro, um evento online e gratuito que acontece nos dias 23 e 24 de julho, sempre a partir das 17 horas.

"A única coisa que aconteceu foi a aceleração. Tudo que foi previsto foi acelerado. Fora isso, não houve grandes novidades"

“Não sei se o mundo está mais complexo ou se temos mais acesso a informações. Antes, as pessoas sabiam o que acontecia por meio dos jornais, cartas, depois rádio e a TV. Era restrito. Hoje, temos informação em tempo real de qualquer lugar do mundo. Isso faz parecer que o mundo está mais complexo. Dá a impressão de que tem mais coisa acontecendo, mais gente morrendo, mais guerras… É uma sensação de complexidade que não necessariamente reflete a realidade.

Também não acredito que a tecnologia torne o mundo mais complexo. Ela surge para facilitar a realização de coisas que fomos obrigados a fazer desde a Revolução Industrial: cálculos complexos, transporte de objetos pesados e realização de tarefas repetitivas.

 

Acho a tecnologia um alívio, pois cada vez mais ela nos deixa livres para criar, fazer coisas mais interessantes e inteligentes, em vez de maçantes e repetitivas. Enxergo a tecnologia como algo que nos faz resgatar a nossa humanidade.

Em relação ao mercado, a melhor atitude é sempre estar atualizado e saber o que está acontecendo. Negar as mudanças é a pior coisa que se pode fazer e a pandemia é um exemplo perfeito para isso. Empresas que deveriam ter se tornado digitais e utilizado do home-office há pelo menos uma década preguiçosamente não quiseram fazer estes movimentos e agora foram “pegas de calças-curtas” e obrigadas a fazer tudo isso correndo.

Nesse sentido, a melhor forma de inovar é investir muito dinheiro em uma área da empresa destinada a criar um novo negócio que vai matar o modelo vigente. Esse “braço” vai trabalhar incansavelmente para criar uma solução que mate o negócio atual, e no meio do caminho vai criar uma série de inovações maravilhosas para a própria “empresa-mãe” funcionar.

No fim, se criar uma inovação disruptiva que mate a “empresa-mãe”, melhor ainda, porque ele já pertence a ela e é só substituir o modelo de negócio antigo pelo novo.

A combinação ideal para inovar é startups trabalhando em conjunto com as grandes. As startups têm as melhores ideias, e as grandes têm o dinheiro.

A Nova Economia é impulsionada pelas startups, que têm pouco a perder, e precisa ser abraçada pelas grandes empresas para perdurar. Não adianta uma inovação disruptiva acontecer se o mercado não absorver aquilo. O Airbnb é um caso interessante: foi absorvido pelo mercado, mas agora está voltando atrás, sendo inclusive proibido em alguns países. O Netflix, por outro lado, já é um modelo que foi muito bem absorvido.

Para quem já estudava o futuro, não mudou absolutamente nada em 2020. Tudo que está acontecendo agora já estava previsto, já era falado.

A única coisa que aconteceu foi a aceleração. Tudo que foi previsto foi acelerado. Fora isso, não houve grandes novidades. Para citar alguns exemplos, a tendência da educação à distância foi antecipada, a questão do home-office e do nomadismo também, assim como a desmaterialização do local de trabalho.

Na minha opinião, o futuro hoje está bem preocupante, porque grande parte dele tem a ver com inteligência artificial. Basicamente, o desenvolvimento desta tecnologia está nas mãos de poucos homens, brancos, que estudaram nas mesmas universidades, têm os mesmos pré-conceitos e o mesmo estilo de vida. Estão criando uma inteligência artificial que é enviesada.

Quando colocamos um algoritmo de IA para aprender sozinho, ele vai se utilizar das informações que estão disponíveis na rede. Vemos diversos casos de inteligências artificiais que se tornaram extremamente racistas, nazistas, e tiveram de ser destruídas. Hoje, somente cerca de metade da população mundial tem acesso à internet. Ou seja, quando essas IAs estão aprendendo, elas tomam apenas a visão de 50% do planeta. Elas deixam de fora a opinião e o estilo de vida de metade da população.

A grande questão é que inteligência artificial é um espelho da nossa sociedade. É extremamente perigoso que os dados e a inteligência do mundo estejam tão concentrados.

Aí entra a questão da ética: se as pessoas não buscarem tirar de poucas mãos esse poder todo e distribuir efetivamente os dados e a internet pelo mundo, teremos um futuro muito pouco ético, pouco democrático e bastante preconceituoso.

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