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Narissa Wild: O que aprendemos com os eventos virtuais no ano de pandemia?

22/03/2021

Narissa Wild: O que aprendemos com os eventos virtuais no ano de pandemia?

Para manter o mínimo da rotina pré-pandemia sem poder reunir pessoas presencialmente, no último ano vimos as mais diferentes áreas de nosso dia a dia se digitalizando: aulas virtuais, trabalho remoto, lives de show, festas de aniversário e ginástica por zoom… Profissionais da indústria de eventos tiveram pela frente o desafio de promover seus encontros mesmo que cada participante estivesse em sua própria casa. Se focarmos nas inúmeras oportunidades que o modelo virtual pode oferecer, mais do que na fatalidade da ausência de eventos presenciais, veremos o quanto 2020 ensinou sobre novas formas de engajamento, comunidade, diversão e networking.

 

“O formato digital é diferente. Não dá para replicar o presencial, mas podemos complementá-lo e oferecer algo único de forma a aprofundar a experiência do público”, aponta Narissa Wild, vice-presidente digital da Informa Markets especialista em criação de plataformas digitais para empresas globais se conectarem com mercados e clientes. Ela foi uma das palestrantes do painel “O que as comunidades virtuais nos ensinam sobre humanidade” no South by Southwest, maior evento de inovação do mundo que este ano está acontecendo 100% digital.

 

Com uma boa plataforma para hospedá-los, eventos digitais podem se traduzir em maior diversidade de público, incorporação de novos conteúdos, mais sustentabilidade, acessibilidade, novas e ampliadas formas de networking, mais igualdade e engajamento.  Confira abaixo as principais tendências:

 

DIVERSIDADE E ACESSIBILIDADE

 

Geografia não é mais um impedimento. Eventos digitais não acontecem em um lugar físico determinado, mas são feitos de qualquer lugar e chegam ao público que está espalhado ao redor do globo. Os participantes e espectadores não precisam sair de casa, chamar um Uber ou alugar um carro, pagar passagem nem se hospedar em hotel. Isso reduz significativamente o custo de produção e também de participação, tornando o evento muito mais acessível a um público que, de outra forma, seja por questão financeira, geográfica, de tempo, idade e até mesmo física, não participaria. O mesmo vale para empreendedores que desejam expor produtos e marcas e até para o staff de bandas, empresas ou palestrantes. Ainda, o acesso é facilitado quando é possível participar de acontecimentos  paralelos dentro do mesmo evento, dando ao público a opção de fazer sua própria agenda da programação. Muitos eventos digitais experimentaram um aumento significativo de seu público advindo de lugares distantes e do exterior, além de conseguirem trazer nomes de peso que fisicamente não poderiam estar presentes.

 

 

CONTEÚDO AMPLIADO E VARIADO

 

Espaço físico, tempo e calendário não são mais um impedimento à oferta de conteúdo. Se antes um evento tinha que ser planejado para caber em um local e  limitado a determinados dias, os digitais desafiaram essa lógica. Conferências e festivais musicais podem acontecer 24h do dia e serem disponibilizados para além de sua data oficial, assim como para diferentes fuso horários. O SXSW é um excelente exemplo. Há palestras pré-gravadas assim como painéis e shows ao vivo. O conteúdo é reprisado em canais paralelos em diferentes momentos e estará disponível por um mês após o término oficial. Ser virtual possibilita, inclusive, a incorporação de novos conteúdos que não caberiam no formato tradicional físico. Por exemplo, um festival de música com forte viés educacional e de formação profissional e mercadológica não teria espaço físico e no cronograma para abrigar sessões de bem-estar, como aulas de ioga ou meditação. O público, mais focado no core do evento, também não poderia participar por ter que otimizar seu tempo. Mas num ambiente virtual e numa oferta sob demanda, esse conteúdo pode ser disponibilidade e consumido.

 

SUSTENTABILIDADE

 

Como já foi elencado, a redução do tráfego de produtos e pessoas para a realização de um evento presencial é incomparável quando ele é transportado para o mundo digital. Menos emissões de carbono de viagens áreas e rodoviárias, menos uso de plástico. Mas um evento virtual não é somente mais verde e sustentável. Ele pode ser uma oportunidade de ampliar, reforçar e divulgar as políticas de sustentabilidade do organizador e dos parceiros envolvidos, como uso de materiais renováveis e outras ações de impacto ambiental.

 

NETWORKING E ENGAJAMENTO

 

O ambiente virtual, sabemos, encoraja as pessoas a se abrirem e irem ao encontro do outro. Quem se sente intimidado, assustado ou envergonhado de se aproximar de estranhos em ambientes corporativos ou mesmo de lazer, protegido pelo senso de anonimato digital sente-se mais aberto e estimulado. Não existe a estranheza de se chegar perto de um desconhecido, olhar seu crachá e se apresentar, ou de puxar assunto em uma festa. O uso de redes sociais já nos preparou para o networking digital.

 

Nas boas plataformas de evento é possível fazer uma pesquisa rápida e ter informações iniciais dos interlocutores e vice-versa. Você já entra num ambiente virtual sabendo sobre aquela empresa e as pessoas que estarão lá. Isso facilita a interação. O público busca temas e eventos de interesse e, por isso, a conexão e engajamento entre as pessoas que estão lá acontece de forma natural. São tribos e comunidades que vão se juntar a partir de interesses em comum. E que podem levar essa conexão à frente, promovendo novos encontros.

 

O evento virtual abre espaços para novas estratégias de engajamento que seriam mais difíceis de viabilizar num ambiente presencial. Um palestrante recebe feedback imediato da sua audiência através, por exemplo, de chat ao vivo e perguntas podem ser imediatamente respondidas. É possível saber quais as dúvidas e temas foram mais levantados a partir de jogos e pesquisas em tempo real. Se a palestra ou show foi pré-gravado, o palestrante ou banda pode interagir ao vivo e de forma mais direta com a plateia durante a transmissão. Reuniões de follow-up são marcadas facilmente através de ferramentas conectadas a calendários.

 

“Não é uma questão de tentar levantar as limitações ou pintar negativamente os eventos presenciais para compensar o fato de não podermos promovê-los nesse momento. É olhar positivamente para o que podemos fazer virtualmente e explorar ao máximo seus benefícios. As pessoas querem se encontrar e partilhar suas paixões, aprender e se conectar. A tecnologia nos possibilita isso e ainda temos muito o que aprender e experimentar para tornar as vivências digitais cada vez mais abrangentes”, conclui Wild.

 

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