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Papo de Futuro Especial: A música e o novo fazer artístico

31/07/2020

Papo de Futuro Especial: A música e o novo fazer artístico

A nova série “Diálogos em Trânsito”, realizada pelo Oi Futuro em parceria com o British Council, apresenta, em três episódios, iniciativas inovadoras desenvolvidas pelo setor artístico para contornar o lockdown e promover o engajamento com suas comunidades durante e após a pandemia. Neste primeiro encontro, o tema é “Música”, com a participação de duas convidadas especiais: Andreea Magdalina, fundadora e diretora da She Said.so, rede internacional de empoderamento de mulheres da música, e Fabiana Batistela, criadora e diretora da Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM SP). Aberto pelo diretor do British Council no Brasil, Martin Dowle, e pelo gerente de Cultura do Oi Futuro, Roberto Guimarães, o encontro virtual foi mediado por Rafael Ferraz, gerente de projetos do British Council. O Papo de Futuro, agora transmitido pela plataforma Zoom, conta com acessibilidade em libras e tradução simultânea.

Parceira do Oi Futuro e do British Council na realização do ASA – Arte Sônica Amplificada, programa de capacitação profissional e desenvolvimento de carreira de mulheres do setor musical, Andreea Magdalina acredita que “não haverá um final para o machismo se o racismo continuar”. Fabiana Batistela, responsável pela maior conferência de música da América Latina, acentua: “Não existe projeto artístico que sobreviva sozinho; ele precisa de um entorno, de uma comunidade”.

Confira abaixo outras dez reflexões de Andreea Magdalina e Fabiana Batistela sobre o tema “Diálogos em Trânsito – Música”:

1)Sobre a She Said.so

É uma comunidade da indústria musical, criada em Londres, em 2014. Na época, Andreea Magdalina trabalhava para um serviço de streaming, fora do Reino Unido, com a intercessão entre tecnologia e música, quando percebeu que ambas as indústrias enfrentavam a diversidade. Diante deste cenário, resolveu criar um lugar seguro em que  as mulheres pudessem se ajudar. “Somos uma irmandade de apoio mútuo, com presença internacional, que oferece conselhos, empregos, mentorias, todo um suporte para apoiar a carreira das mulheres na indústria da música”. São 9 mil membros, distribuídos em 18 divisões globais e em 100 cidades. A She Said.so foca no empoderamento de mulheres e nas minorias de gênero e divide sua missão em quatro partes: as duas primeiras, iniciadas há seis anos – aumentar a consciência e quebrar os estereótipos – já estão sendo alcançadas. E agora, nas fases três e quatro, o objetivo é que as mulheres sejam reconhecidas, estejam mais nos palcos e ocupem espaços geralmente dominados por homens, como nas palestras e na engenharia de som. “Queremos que elas assumam papeis de liderança e estejam no topo”, ressalta Andreea.

2)Iniciativas inovadoras

Os membros da She Said.so trabalham em todas as áreas das empresas mais reconhecidas em negócios de música, como repertório, artista, performance ao vivo, marketing, relações públicas e, ainda, na tomada de decisões. Atua, também, em parcerias, como as realizadas com a Sim SP, o British Council e a ONU Mulheres. Há projetos como o Alternative Power 100, realizado uma vez ao ano e bastante popular, além do ASA, um dos favoritos de Andreea, iniciado em 1018, junto ao Bristh Council e o Oi Futuro. A She Said.so vem oferecendo treinamento, atividades comunitárias e coaching.

3)As mudanças para a plataforma online

Com a pandemia, os planos tiveram que ser adaptados, mudando o esquema de mentoria para uma versão virtual. Tudo foi substituído por uma série de webinars e outras atividades comunitárias online. Andreea diz que é preciso alcançar o mesmo nível de conexão e aprendizado, com oportunidades iguais, independente das restrições físicas do isolamento social. Iniciaram uma série de sessões virtuais, as chamadas “Community SSSessions”, realizadas às segundas-feiras, às 9 horas, com base em Los Angeles, e também no início da tarde, na Europa, com vários convidados da indústria. São especialistas que falam sobre o Covid e suas consequências, e informam os projetos em que estão trabalhando. “E a parte mais importante nesta crise é perceber que as pessoas se unem como numa comunidade, vencendo os desafios”, observa.

4)O crescimento da SIM SP

Iniciada em 2013, a Semana Internacional de Música de São Paulo chega agora à oitava edição. Em 2019, com o tema “O mundo discutindo o futuro da música e a música discutindo o futuro do mundo”, o evento registrou uma participação de 3.500 credenciados de 27 países, um número recorde, com mais de 400 espetáculos espalhados em 47 casas de shows na capital paulista, além de 90 paineis, realizados durante três dias no Centro Cultural São Paulo. “A SIM SP usa a cidade como cenário e espaço físico para o evento. Nunca estivemos dentro de apenas uma casa. Conversamos com todos os tipos de profissionais, desde os que ainda estão começando até os mais experientes e já consolidados na carreira”, conta a mentora Fabiana Batistela. Desde 2016, cinquenta por cento das conferências e da programação artística precisa ser formada por mulheres. A partir do ano passado, surgiram mais regras nos paineis: a participação de pessoas não brancas, incluindo na programação musical os indígenas e várias vozes que, geralmente, não são ouvidas nos festivais.

5)A música como fator de transformação social

“Acredito que as artes têm esse poder de trazer tendências, de antecipar comportamentos. Conseguimos prever o futuro através da produção artística de uma região, de uma comunidade”, enfatiza Fabiana. Além de falar sobre mercado, a SIM SP usa também a música como fator de transformação social. Esta narrativa vem sendo construída há alguns anos e ganha cada vez mais peso na programação. Outra questão importante é que as novas soluções para a música devem partir de um pensamento coletivo. As coisas não funcionam mais localmente.

6)Como se reinventar no digital

Em 2020, a expectativa era receber, no Memorial da América Latina, um público de mais de 7 mil pessoas por dia. Mas, veio a pandemia. Logo no início, uma pesquisa do DATA SIM sobre os impactos do Covid-19 no mercado da música no Brasil revelou resultados assustadores. E, na segunda semana da quarentena, a previsão era de que o prejuízo no setor chegaria a meio bilhão de reais. Depois de muitos estudos para repensar as principais missões da SIM SP, chegaram a algumas respostas: conectar pessoas, compartilhar conhecimento, expor as tendências da música e dos novos movimentos artísticos, motivar a investir na carreira, em parcerias e nos novos negócios. Assim, foi desenhada uma nova edição do evento, aproveitando o que o digital tem para oferecer. Criaram um portal de notícias e de conteúdo gratuito, que será lançado dia 17 de agosto. Na semana seguinte, dia 24, será a vez da SIM Community, que é uma comunidade online para assinantes, por um valor mensal de R$ 15,00. A Semana propriamente dita, que acontece sempre em dezembro, foi transformada em uma ‘quarentena internacional’. Só que agora vai durar 34 dias. Começará dia 3 de novembro e terminará em 6 de dezembro. Haverá três faixas de horários na programação das conferências, facilitando a agenda de quem quer assistir. E, ainda em novembro, vão acontecer os shows da programação colaborativa, antes realizados nas casas, com uma base em São Paulo para gravação e transmissão do conteúdo. Em dezembro, estão previstos os showscase cujas inscrições abrem dia 17 de agosto, pelo site; as palestras com grandes representantes do mercado, o Prêmio SIM, com transmissão ao vivo e sem público. “Vamos aproveitar o digital para ampliar o que temos a oferecer”, promete Fabiana.

7)O que vai ficar no consumo de música no mercado

“A mudança para o digital é algo que a gente vai abraçar mais do que nunca. Teremos que descobrir maneiras de monetizar para levar os negócios adiante”, prevê Andreea.  Os artistas estão sempre olhando as mídias sociais como uma maneira de obter mais seguidores, mais participação. Agora, novas plataformas empoderam os criadores e  devem permanecer além da crise, como a Patreon (website norte-americano de financiamento coletivo que oferece ferramentas para gerenciar serviços).  Outro aspecto importante é a gamificação da música e as intercessões das indústrias diferentes, que nunca se falaram antes. Fabiana diz que os novos formatos de se ter uma experiência ao vivo vão nos surpreender. “Nesta quarentena, pudemos comprovar que a música contribui para elevar a autoestima e é fundamental para a sobrevivência. Precisamos pensar também na organização de setores – não temos representatividade por aqui; na proteção do mercado independente – em momentos de crise, os grandes têm mais chances de sobreviver; e na humanização – essa experiência nos fez entender que somos muito frágeis. Enfim, se não mudarmos agora, não tem futuro”.

8)As marcas e a organização dos festivais

Para Andreea, a primeira reação a partir da pandemia é que muito do orçamento do mercado foi cortado. Empresas que estavam nativas digitalmente continuam a se expandir, as plataformas têm os recursos para investir em projetos de marketing. É interessante constatar que as marcas contam agora com os microinfluenciadores. Sem espaço para racismo ou outro tipo de discriminação. Se no início, o marketing era só para superestrelas, hoje, mais pessoas se sentem cada vez mais atraídas pelas comunidades. O entendimento é que todos somos seres humanos, com características complexas. E a marca, para continuar fiel, terá que demonstrar lealdade, autenticidade e investir em projetos que realmente importam. Essa obsessão com celebridades e com um grande número de seguidores precisa mudar. Fabiana comenta: “Precisamos entender que na internet a comunicação entre marca e público é muito direta. Sobre os festivais, devem ter uma proposta cultural e construir uma marca forte”, complementa.

9)Confiança no futuro

“Sei que parece muito assustador esse momento para todos os envolvidos no setor, e é difícil enfrentar algumas realidades como as que estão ocorrendo no Brasil e nos Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo, estou confiante de coração no fato de que esse tempo de crise vai oferecer oportunidades de crescimento e de mudança, de um jeito tão acelerado que seria impossível numa situação normal. Assistimos o ‘Vidas Negras Importam’ em várias esferas”, finaliza Andreea.

10)Novos caminhos 

Para Fabiana, em momentos de crise, como essa em que estamos vivendo, ideias inovadoras e brilhantes acabam surgindo. Foi por conta da crise no início dos anos 2000 que chegamos aos modelos digitais encontrados hoje. “Estou ansiosa para ver o que nos trará o futuro. Eventos como a SIM SP e outros que reúnem muitas pessoas têm possibilidade de gerar novas ideias e novos caminhos. Participem da forma que for possível. Apoiem. Não peçam seu ingresso de volta. Esperem para o show acontecer. Não ajudem a quebrar a indústria!”.

Você pode conferir a íntegra do encontro online sobre o tema “Diálogos em Trânsito – Música” aqui.

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