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Conexões inovadoras num futuro diverso: reflexões de uma imersão na Rio2C

29/04/2019

Conexões inovadoras num futuro diverso: reflexões de uma imersão na Rio2C

Sara Crosman*

Uma nova sociedade surge, pautada por profundas transformações. Nesse momento de mudança, tudo o que sabemos é que o que estar por vir será diferente do que existe hoje e não podemos nos basear no passado para imaginar o futuro. É neste cenário que a inovação emerge como palavra de ordem. Mas para falar de inovação precisamos, em primeiro lugar, esclarecer a ideia de que a inovação está sempre associada à tecnologia.

Para inovar, não é preciso criar uma solução disruptiva ou desenvolver novos algoritmos. Pelo contrário, negócios de sucesso inovam ao realizar até as tarefas mais simples, que podem ser ofertadas de uma forma mais conveniente. Ou ser uma solução que resolva uma dor ou que traga uma nova percepção de valor, desde que esteja sempre focado no ser humano. O caminho para sobrevivência em uma sociedade cada vez mais complexa é a inovação continuada.

Mas a inovação é o final da história. Para que ela aconteça é preciso estar num ambiente que estimule a criatividade. Para Teresa Amabile, professora e pesquisadora na Harvard Business School que é uma referência mundial para o tema, criatividade é o primeiro passo de um processo que idealmente resultará em inovação. Criatividade é buscar ideias novas e úteis. Inovação é a implementação bem sucedida dessas ideias. É com essa habilidade que conseguimos superar os desafios e trilhar jornadas de sucesso. Ser criativo nos dá a possibilidade de enxergar o que inicialmente parecia ser um problema por diferentes ângulos e assim encontrar saídas completamente novas e interessantes. É preciso dedicação e trabalho para fazer conexões que não foram pensadas antes por ninguém.

Não é por acaso então que cerca de 25 mil pessoas das mais variadas profissões e interesses tenham estado juntas durante o Rio2C, o Rio Creative Conference, evento que aconteceu de 23 a 28 de abril e ofereceu mais de 400 painéis para falar de inovação e criatividade. Nos quatro dias de conferência e dois de festival, a tônica dos debates e conversas foi em torno de projetos, iniciativas e metodologias que possam nos inspirar a inovar de forma criativa nos negócios, conteúdos e na produção de conhecimento.

Para quem mergulhou nessa experiência intensa ficam diversos aprendizados e inspirações e destaco duas percepções importantes. Uma delas é a relevância da diversidade para construção de novos futuros. Vários projetos e painéis trouxeram a força da periferia e das mulheres para movimentar os negócios da economia criativa e o ecossistema da inovação.

“A gente tem que ter toda a diversidade possível para poder extrapolar nosso universo. Sinto impacto por ser mulher, negra e da periferia. Conseguir ser respeitada como dona e fundadora da empresa é um desafio”, contou Jaciana Melquíades, empresária e fundadora do “Era uma vez o mundo”, negócio social impulsionado pelo Labora, laboratório de inovação social do Oi Futuro, no painel sobre o “Empreendedorismo feminino de impacto social”.

Mariana Sá, diretora de criação da TV Globo, também trouxe o tema no painel sobre criatividade feminina: “A ciência diz que a criatividade é potencializada pela diversidade de experiências. Então, quanto mais diferente a gente for, infinitas serão as possibilidades criativas”, afirmou. “Promover a diversidade é uma questão de sobrevivência, inclusive, econômica”, concluiu Joanna Monteiro, CCO da FCB Brasil.

O segundo ponto de destaque que emergiu dos debates da Rio 2C foi a importância de inovar também a serviço da inclusão. Como garantir que as novas inovações e tecnologias, dos games às narrativas imersivas, possam ampliar o acesso de mais pessoas a novos mercados e à educação? Como fortalecer as redes de inovação para que possam gerar sentimento de pertencimento?

“Não faz sentido falar em fortalecimento do ecossistema de inovação se não investirmos em inclusão”, nos contou Hector Gusmão, presidente da Fábrica de Startups Brasil, que participou do painel “Hubs de Inovação: Oportunidades para o RJ”.

Fica claro que diversidade e inclusão não são opções, são premissas indiscutíveis para ser criativo e inovar. E nenhum negócio ou projeto conseguirá sobreviver à revolução tecnológica digital que estamos vivendo se não ampliar a diversidade de suas equipes e se não tiver em mente que é preciso pensar na inclusão de seus funcionários e clientes. Só com esses olhares diversos será possível entender as necessidades e criar conexões verdadeiras com as audiências que poderão se traduzir em produtos, serviços e ações que de fato tenham valor numa sociedade ultra conectada e inserida em cenários cada vez mais complexos.

Sara Crosman é diretora executiva do Oi Futuro

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